"O jovem é a mais bela criatura de Deus, é a esperança do provir."
Padre Dehon

Papa Francisco exorta a promover a cultura da criança e da adoção

Sábado, 25 de Maio de 2019 - 13h59

Na saudação aos membros do Instituto do Hospital dos Inocentes de Florença, Francisco evidenciou que muitas vezes as pessoas querem adotar crianças, mas que há uma grande burocracia – isso quando não há corrupção pelo meio, em que se paga... O Papa pediu para ser ajudado a semear a consciência de que somos responsáveis pelas crianças abandonadas, sozinhas, vítimas de guerras.

          O Papa recebeu em audiência na manhã desta sexta-feira (24/05), na Sala Clementina, no Vaticano, os membros do Instituto Hospital dos Inocentes de Florença – região italiana da Toscana, um grupo de 70 pessoas. Há seiscentos anos, a instituição acolhe, assiste e promove a infância.

          
Tendo deixado de lado o texto previamente preparado para a ocasião, o qual foi entregue aos presentes, Francisco dirigiu-se espontaneamente falando inicialmente – a partir das palavras de saudação da presidente do Instituto – da “cultura da criança”. Hoje devemos retomá-la, disse.

          
“Há uma cultura da surpresa no ver crescer, ver como se surpreendem com a vida, como entram em contato com a vida. E nós devemos aprender a fazer o mesmo. Este caminho, essa estrada que todos nós percorremos como criança, devemos retomá-la”, enfatizou.


              Recuperar a capacidade de surpreender-nos

          Mencionando a passagem do evangelista São Marcos previamente citada: “Deixai vir a mim as criancinhas”; o Pontífice ressaltou que há outras passagens do Evangelho em que Jesus vai além: não somente fala em acolher as crianças, e quem as acolhe, a Ele acolhe, vai além, prosseguiu. “Se não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos céus.”

          Francisco lembrou que o nosso Deus é o Deus das surpresas que que nós devemos, de algum modo, voltar à simplicidade de uma criança e, sobretudo, à capacidade de surpreender-nos.

          “Neste instituto de seis séculos de história, muitas vezes as mães deixavam, junto a seus recém-nascidos, medalhas quebradas ao meio, com as quais esperavam, apresentando a outra metade, poder reconhecer seus filhos em tempos melhores.”

          Retomando esse fato histórico, o Papa disse querer dizer outra coisa acerca daquelas medalhas quebradas (metade para a criança e metade para a mãe que o deixava no Instituto). “Hoje no mundo há muitas crianças que idealmente têm a metade das medalhas. Estão sozinhas. As vítimas das guerras, das migrações, as crianças não acompanhadas, as vítimas da fome. Crianças com metade da medalha. E quem tem a outra metade? A Mãe Igreja”, destacou o Pontífice.


           Colocar a adoção em prática

        
“Nós temos a outra metade. É preciso refletir e fazer entender às pessoas que nós somos responsáveis por esta outra metade e ajudar a fazer hoje outra casa dos inocentes, mas mundial, colocando em prática a adoção”, frisou.

          Francisco evidenciou que muitas vezes as pessoas querem adotar crianças, mas que há uma grande burocracia – isso quando não há corrupção pelo meio, em que se paga... O Papa pediu para ser ajudado nisso: a semear a consciência de que nós temos a outra metade da medalha daquela criança.

          “Muitas famílias sem filhos– disse por fim – que certamente teriam o desejo de ter uma com a adoção: seguir adiante, criar uma cultura da adoção porque as crianças abandonadas, sozinhas, vítimas de guerras, e outros, são muitas; que as pessoas aprendam a olhar para a outra metade e a dizer: Também eu tenho a outra metade.” Francisco concluiu pedindo que eles trabalhassem nisso.

Fonte: www.vaticannews.va

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